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São Paulo - 17/06/2010


Missão empresarial na Turquia entra para o livro dos recordes

Nos dois dias da Ponte de negócios da Turquia com o Mundo foram realizados mais de 100 mil encontros de negócios, na maior missão empresarial


Elias Miguel Haddad

A missão promovida pela Tuskon – organização turca – em Istambul, com empreendedores de 135 países entrou para livro dos recordes como a maior missão empresarial do mundo.

Os números impressionam: foram 2,3 mil empresas estrangeiras e 2,2 mil turcas que realizaram mais de 100 mil encontros de negócios. A Tuskon estima que as rodadas realizadas poderão gerar mais de US$ 7 bilhões em negócios.

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente do Conselho Empresarial Brasil-Turquia, Elias Miguel Haddad, os encontros de negócios entre as empresas dos dois países atingiram excelentes níveis de transação e elevou a participação brasileira em terras turcas.

"Ambos os países são estrategicamente importantes. A Turquia está muita próxima dos países europeus e africanos e o Brasil pode ser um braço turco para os países da América do Sul", ressaltou Haddad, no segundo dia de reuniões de negócios, em Istambul.

Transporte de mercadorias

Durante as rodadas, os empresários dificilmente fecham um negócio de imediato. Primeiro ocorre uma aproximação, e um possível contrato, semanas ou meses depois. No entanto, não foi o que aconteceu com o empresário catarinense Bruno Cruz, que mantém uma empresa de aluguel de navios para transportar mercadorias de seus clientes da China para o Brasil.

Ele explicou que os navios são obrigados a parar na Turquia para reabastecer, e que sua intenção, ao chegar em Istambul, era localizar mercadorias turcas para carregar até o Brasil.

"Nesta parada ficamos ociosos. Eu queria encontrar empresários que já mantêm negócios com o Brasil, para que nossa empresa pudesse realizar o transporte. Assim, ganharíamos com a nossa parada obrigatória na Turquia", contou.

Logo nas primeiras reuniões, Cruz achou o que buscava. Fechou contrato de um ano com uma companhia turca, para enviar peças automotivas aos seus clientes no Brasil. A princípio, a empresa de Bruno transportará um contêiner por semana, no valor de US$ 2,5 mil. "Ainda é pouco, mas estou muito otimista com as rodadas de negócios com as empresas turcas”, comemorou.

Custo-benefício

Já o trader Richard Fazzan, da Tervedi Trading, de São Paulo, veio a Istambul atrás de metais ferrosos e não ferrosos para levar ao Brasil. Segundo ele, os preços das mercadorias turcas podem sair até 40% mais baratas, mesmo com todos os impostos de importação.

Fazzan explicou que não há uma diversificação de empresas brasileiras na produção destas mercadorias, o que implica a negociação de um preço melhor. Ele ressaltou, ainda, a burocracia praticada pelo Brasil em relação ao comércio exterior.

"O País precisa de regras mais claras. Fala-se muito que o Brasil é um país globalizado, mas ainda há muita burocracia em nível de globalização. Dependendo do volume importado, o empresário enfrenta uma série de entraves para poder nacionalizar o produto, além de o processo de desembaraço das mercadorias ser muito longo, cerca de 15 dias", pontuou.

Os encontros de negócios seguem durante esta semana, com visitas técnicas às empresas turcas.

Fábio Rocha, de Istambul, Turquia, para Agência Indusnet Fiesp

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