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Estados Unidos querem aprimorar preparo e avaliação de seus professores
Problemas são similares aos do Brasil, concluiu o Consocial da Fiesp após reunião com a assessora de educação do governo Barack Obama

Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Consocial/Fiesp |
A educação é tema mais do discutido neste momento, não só pela fase eleitoral na qual vive o País, mas principalmente devido a discussão de um currículo mínimo nacional, foco das políticas públicas.
A avaliação feita por Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo deu o tom da sequência dos debates.
Formar professores de qualidade no século XXI é um desafio para países de dimensões continentais como Brasil e Estados Unidos , ao tentar atrelar metodologias que tenham efeitos práticos, resultados que possam ser mensuráveis e o uso de ferramentas tecnológicas.
"Às vezes, o ambiente familiar não é propício. Assim, o professor é figura fundamental para o desenvolvimento de um estudante", avaliou Susan Fuhrman, que tratou do Cross-National trends in Education, as tendências na área educacional.

Susan Fuhrman, assessora de educação do governo Barack Obama |
Através do Consortium for Policy Research in Education (CPRE), ela lidera e conduz variadas pesquisas que geram suporte financeiro substancial por parte do Departamento de Educação e Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos e de empresas privadas.
Também é presidente da Teachers College, Columbia University e da National Academy of Education, além de ser diretora não-executiva da Pearson plc. Consultora do projeto do Harlem, é uma das atuais assessoras do governo Barack Obama na área da educação.
Sua afirmação leva a outras encruzilhadas: como preparar um bom professor, como avaliá-lo e como medir o seu desempenho em classe. Nos Estados Unidos, o universo de professores é composto por três milhões de profissionais.
Excelência do professor
De acordo com Fuhrman, as pesquisas desenvolvidas nos EUA reforçam o que é senso comum: o professor e a qualidade de ensino são fatores fundamentais para o sucesso dos estudantes. Ela sublinhou os elos deste delicado processo:
Recrutamento,
Preparação,
Retenção,
Avaliação,
Desenvolvimento profissional.
A qualidade do educador importa mais do que o tamanho da sala de aula, da renda familiar e de composição das etnias. Ao promover a mudança do padrão dos professores que trabalham com alunos de baixa renda e de minorias na cidade de Nova York, constatou-se melhoria nos resultados.
Dentro desta verificação, o grande entrave é fazer um eficiente acompanhamento, pois os efeitos positivos são cumulativos ao longo dos anos, explicou Fuhrman.
Evasão
No cenário americano, algumas Organizações Não-Governamentais (ONGs) retêm os melhores egressos das faculdades a fim de treiná-los para as aulas. O Teachers for America é o que mais emprega, resolvendo um problema em escala, segundo a especialista, mas não o ponto crucial da questão.
"A metade de todos os novos professores abandona a profissão em cinco anos, o que chamamos de 'balde furado'. Os profissionais que agregam as maiores pontuações, em testes padronizados, são os mais propensos a abandonar a sala. Os salários oferecidos também pesam nesta escolha. Na prática, menos de 1% dos professores é demitido", contextualizou a assessora.
Mas, ela ressalta, lá há a mesma "curva de desprestígio" da profissão, como ocorre no Brasil, pois os professores estão subempregados. Um educador só toma posse definitiva do cargo após três anos de atuação.
Avaliação
Há hoje, nos Estados Unidos, um grande movimento para que se usem os "scores" dos provões realizados pelos alunos a fim de avaliar os que merecem estabilidade, o que gera controvérsias com os sindicatos.
Para Fuhrman, este trabalho de avaliação é um desafio, pois deve envolver o sucesso dos alunos em campo, em sua vida egressa, e conhecer quais práticas contribuíram para um resultado positivo.
Segundo a assessora, as universidades não fazem parte desta discussão política de construção de um currículo nacional, presente na agenda de políticas públicas do presidente Barack Obama. "Elas são defensivas e não construtivas, mas devem integrar esta solução", criticou.
Incentivos e tecnologia
O sistema de premiação pecuniária, como existe no Brasil, também foi uma tentativa que não apresentou retornos concretos nos EUA, devido à falta de incentivos. Por isso, o foco deve ser a incorporação de pesquisas cognitivas para o aprendizado, a neurociência, ajudando a entender o que deve ser ensinado antes e o que vem depois a fim de obter excelência. Isto ainda não acontece nos EUA, apesar de toda a tecnologia existente.
Citando o exemplo do Teachers College, que congrega um universo de 5.500 pessoas, são feitos experimentos on-line, no campo da Matemática e da Geometria, e desenvolvidos aplicativos para o iPhone. A tecnologia é ferramenta de apoio até para perceber o quanto um aluno caminhou em termos de aprendizado, na opinião da assessora norte-americana.
Parte da solução pode vir de novas diretrizes que pensam em progressão do aprendizado e incentivos financeiros por parte do governo para que os consórcios locais desenvolvam seus padrões, segundo explicou Susan Fuhrman.
"Nos 16 mil distritos dos EUA há 16 mil currículos diferentes, ou seja, o sistema carece de uma padronização nacional. Estamos tentando este tipo de coerência a nível governamental. A gestão Obama está atenta a outros fatores desta equação: apoio nas escolas, liderança do gestor, cooperação entre professores e ambiente de trabalho positivo", disse. "É preciso ter protocolos como um cirurgião faz quando entra em cirurgia para que o professor não faça o que melhor entender quando entra em sua sala de aula", completou.
Diversidade
Susan Fuhrman reportou que há escolas, em Nova York, que convivem com cem línguas diferentes, em função do número de imigrantes presentes, um exemplo de convívio de universos múltiplos.
Na Califórnia, por exemplo, as minorias são maioria e a realidade é que grande parte dos professores é de cor branca. Ela citou ainda o caso de Harlem, onde a África foi incluída no currículo para que houvesse maior integração. "É preciso tocar a cultura de cada um", ponderou.
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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