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Produção destinada à exportação tem o pior resultado da série histórica
Enquanto a participação dos importados no consumo interno voltou aos níveis pré-crise, a parcela exportada da produção está em nível abaixo de 2008
Pela primeira vez, desde 1999 ano em que o país acabara de sair de um regime de câmbio fixo e ainda acumulava déficit na balança comercial a parcela do consumo interno atendida por importados (CI: 20,7%) superou a parcela da produção que é exportada (CE: 19,3%).
Neste trimestre o CE sofreu a terceira queda consecutiva, atingindo um dos patamares mais baixos dos últimos anos, comparável a níveis anteriores ao ano de 2004. Em oposição ao coeficiente de exportação, o CI apresentou a terceira alta seguida e atingiu o terceiro maior valor da série histórica, próximo dos valores dos dois últimos trimestres de 2008, no período pré-crise.
Os dados acima confirmam as previsões para o comércio exterior brasileiro em 2010, que apontam para um cenário em que o total exportado possivelmente não retomará ao valor pré-crise, ao contrário do que o mercado prevê para as importações.
A combinação entre o baixo crescimento externo, câmbio valorizado e acúmulo de créditos tributários relativos às exportações, explicam a perda de mercado externo e o desvio das vendas para o aquecido mercado interno, afirma o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.
Metodologia
Calculados trimestralmente e anualmente, os coeficientes tem como objetivo avaliar momentaneamente o comércio exterior brasileiro. Além disso, a evolução destes indicadores permite identificar fenômenos econômicos relativos ao setor externo da indústria como: substituição de importações, indícios de desindustrialização ou ainda a percepção de internacionalização dos setores industriais.
Na concepção metodológica, o coeficiente de exportação (CE) mensura a parcela da receita da produção industrial nacional proveniente das exportações, em outras palavras, mede a parcela da produção destinada ao mercado externo. Em contrapartida, o coeficiente de importação (CI) quantifica a parcela do consumo aparente que é atendida por importados, também entendido como grau de penetração das importações.
Resultados
Os coeficientes são calculados para a indústria geral, também segundo a classificação de categorias de uso e para um total de 26 setores da indústria. Dentre os principais resultados para o 1º trimestre de 2010 destacam-se:
Em uma análise mais desagregada, por categorias de uso e também por setores, observou-se que o coeficiente de exportação em alguns casos atingiu o nível mais baixo da série histórica. O coeficiente de exportação dos bens de capital (15,4%) e os bens de consumo (16,4%), por exemplo, alcançaram o patamar mais baixo desde 2003, período inicial em que a série trimestral é calculada pela Fiesp.
Setorialmente, destaca-se a elevação do CE do setor de papel e celulose para 27,5%, atingindo o patamar mais alto da série. Por outro lado, os coeficientes de exportação dos setores de produtos têxteis e de aeronaves, ferrovias e embarcações atingiram os níveis mais baixos da série histórica.
Pela primeira vez o CI do setor de material eletrônico e de comunicação (51,2%) ultrapassa os 50%, isto é, mais da metade do consumo interno neste setor é atendido por importados. Os bens importados do setor de equipamentos médico-hospitalares e instrumentos de precisão, por sua vez, atingiram 62,8% do consumo interno, um dos maiores patamares históricos.
A Fiesp defende medidas mais ousadas para que os industriais tenham condições de enfrentar a acirrada competição no mercado internacional e também no mercado doméstico. Essencialmente, um processo mais célere de devolução aos exportadores dos créditos tributários aos quais têm direito pode moderar o já em processo encolhimento da classe industrial exportadora do país, explica Giannetti.
Para acessar o estudo completo em PDF, clique aqui.
Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
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