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Projetos de Execução Administrativa podem inviabilizar o crescimento econômico do País
Crítica foi feita por Kiyoshi Harada, especialista em Direito Tributário e ex-Procurador do município
O Grupo de Estudos Tributários da Fiesp/Ciesp debateu a Execução Administrativa, nesta quarta-feira (28), sob a liderança do especialista em Direito Tributário, Kiyoshi Harada.
Foram avaliados o PLP nº 469/09, que altera o Código Tributário Nacional, e também os PLs (ordinários) 2412/07, 5080, 5081, 5082, os três últimos de 2009. A solução proposta pelo governo terá graves impactos para todos, contribuinte, cidadão e empresas, se aprovada.
Outro aspecto debatido diz respeito à responsabilidade subsidiária de administradores e gestores das empresas que passam a responder pelos tributos não-recolhidos com os seus bens pessoais.
Os Projetos de Lei modificam sensivelmente o Código Tributário Nacional e também dizem respeito à Lei de Execuções Fiscais, instituindo a Transação e criando o Sistema Nacional de Informações Patrimoniais dos Contribuintes (SNIPC). Tramitando em regime de prioridade de votação no Congresso Nacional, têm merecido inúmeras críticas.
Harada afirmou que o remédio receitado está equivocado. Se há morosidade, deve-se às Procuradorias Fiscais do Município, Estado e União que se encontram desmanteladas. O ex-procurador enfatizou ainda, no debate, que a iniciativa desses PLs contraria a tendência legislativa do mundo moderno.
As medidas que podem ser desencadeadas pelos projetos inviabilizariam as empresas. Ao se privilegiar o Fisco, o capital estaria prejudicado levando ao protesto de títulos dos fornecedores, à dificuldade de pagamento da folha e, consequentemente, o aumento do número de reclamações trabalhistas. Irá prejudicar o próprio Estado ao se suprimir uma unidade produtiva. A longo prazo, se inviabiliza o próprio crescimento econômico do país, concluiu Harada.
Panorama
Em 2005, o número de execuções fiscais correspondia a 50% do movimento forense, em geral; no Estado de São Paulo, o índice alcançava 60%. O encerramento das controvérsias era inferior a 50%. No âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, enquanto o processo administrativo levava quatro anos, no Judiciário se arrastava por 12.
Hoje, estima-se que 51% das ações judiciais em trâmite no Estado de São Paulo sejam execuções fiscais; no Rio, alcança 56%. Na Justiça Federal, 38%. Há 13 milhões de execuções fiscais, no País, com tempo médio de trâmite de longos 16 anos.
O grave é que a maioria dos processos de execução não tem andamento, uma vez que os devedores ou seus bens não são identificados. O especialista Harada lembrou que menos de 1% do estoque da dívida ativa por volta dos R$ 827 bilhões - é arrecadado.
Harada, professor de Direito Administrativo, Tributário e Financeiro em diversas instituições de Ensino Superior, também foi procurador-chefe da Consultoria Jurídica do Município de São Paulo.
Sistema Nacional de Informações
A intenção da Procuradoria Nacional da Fazenda é criar o Sistema Nacional de Informações Patrimoniais, relacionando não só os bens de cada cidadão, mas incluindo também dados de cartão de crédito e movimentações bancárias, inclusive.
As informações seriam compartilhadas entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios. A iniciativa do debate partiu do Departamento Jurídico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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