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Sou Capaz
São Paulo - 20/04/2010


Comissão vai propor alterações na Lei de Cotas

Grupo, liderado pela Fiesp, estuda alterações para aprimoramento da legislação


Alexandre Serpa, diretor do Departamento de Ação Regional (Depar II, da Fiesp)
Preocupada com a série de multas aplicadas às empresas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vem liderando uma série de ações, no âmbito do projeto Capital Humano, que visam a inclusão de pessoas com deficiência (PcDs).

Uma dessas ações é o recém-criado programa Sou Capaz, um braço do projeto Capital Humano, que vem orientando empresas no cumprimento da chamada Lei de Cotas (8.213/91). Segundo a maioria dos especialistas, a legislação, que está perto de completar 20 anos de existência, é um dos entraves para a inclusão efetiva da pessoa com deficiência, que somam 4,2 milhões no Estado, segundo dados do IBGE.

“Nem sempre a empresa encontra, na mesma área geográfica, pessoas com esse perfil. E mais difícil ainda é encontrar aquelas qualificadas para ocupar uma função na indústria”, frisa Alexandre Serpa, diretor do Departamento de Ação Regional (Depar II, da Fiesp), órgão que coordena o projeto.

Outro ponto polêmico está nas regras de concessão do benefício. “Se consegue empregar-se, a pessoa com deficiência perde o benefício. Se fica desempregada, tem de percorrer a mesma via-crucis para reconquistar o benefício”, lembrou Serpa.

Uma comissão, integrada por departamentos da Fiesp, Ciesp, entidades de inclusão, órgãos governamentais, Sesi e Senai, já está trabalhando no estudo da legislação, nos pontos que possa sofrer alterações e aprimoramentos. “Essa comissão vai elencar os pontos comuns, que atendam a todos os interessados, e a partir daí promover as ações que permitam melhorar as relações entre deficiente e empresa”, sintetiza o diretor da Fiesp.

Outra medida importante é a divulgação do cadastro da Escola Senai Ítalo Bologna, de Itu, referência nacional na capacitação de PcDs. A Escola acumula experiência de décadas na capacitação de pessoas com deficiência para o mercado de trabalho, um know-how que já foi levado para outros Estados por meio do Senai nacional. O Centro de Tecnologia Têxtil (Cetiqt), no Rio de Janeiro, adota tecnologias e processos desenvolvidos pela Escola de Itu, para inclusão de costureiros com deficiência visual.

Projeto Capital Humano

A inclusão de PcDs insere-se numa discussão ainda mais ampla que o projeto Capital Humano, lançado em janeiro deste ano, que prevê ainda o debate de outra lei polêmica, a Lei do Aprendiz. O portal contém um mapa da mão de obra ofertada no Estado pelas instituições de ensino profissional – Senai-SP, Centro Paula Souza e Instituto Federal (antigo Cefet).

O portal já foi apresentado em dois fóruns na Fiesp e também em seminários realizados nas Regionais do Ciesp em Araçatuba, Presidente Prudente. Mais recentemente, foi levado a Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, e nestes próximos dois meses será levado às regionais do Ciesp em Santos, Campinas, São João da Boa Vista e Limeira.

“O Capital Humano não é um projeto spot, mas perene. É uma ferramenta fundamental que permite encontrar nele melhoria das relações que envolvem pessoas e o mundo do trabalho”, finaliza Alexandre Serpa.

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

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