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Livre comércio
São Paulo - 08/04/2010


União Europeia precisa de um acordo com o Mercosul, afirma parlamento europeu

Para a indústria paulista, as negociações somente podem avançar caso os países desenvolvidos aceitem equilíbrio nos contratos


Parlamentares da UE e representantes da indústria paulista buscam acordo de livre comércio entre os blocos econômicos

Em reunião entre parlamentares da União Europeia (UE) e representantes da indústria paulista, na manhã desta quinta-feira (8), na sede da Fiesp, o presidente da Comissão de Comércio Internacional do bloco, Vital Moreira, afirmou que a Europa tem necessidade de concretizar um acordo de livre comércio com o Brasil e o Mercosul.

Segundo ele, a UE está disposta a facilitar politicamente as negociações, em vista da possibilidade de conquistar a cooperação dos países do bloco do Cone Sul: “Essa é nossa primeira visita ao exterior após o tratado de Lisboa (que em dezembro de 2009 aprimorou a responsabilidade institucional e política da Comissão), e isso mostra o valor que damos a vocês como parceiros”.


Vital Moreira, presidente da Comissão de Comércio Internacional da UE

Durante a reunião, Vital esclareceu que as negociações com o Brasil têm tripla importância. A primeira, como parceiro em acordo bilateral direto. Depois, como agente essencial na relação entre Mercosul e UE. Por fim, destacou que o ativismo brasileiro no âmbito comercial global transforma o País em aliado indispensável à Rodada Doha.

Equilíbrio internacional

Não é possível ao Brasil, ou a qualquer país emergente ou pobre, avançar em negociações internacionais sem que as nações desenvolvidas se disponham a abrir seus mercados, considerou o ex-embaixador e presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, Rubens Barbosa.

Nesse sentido, disse que espera do Parlamento europeu uma posição mais construtiva do que a demonstrada pelo Congresso norte-americano. “Os Estados Unidos têm se mostrado muito inflexíveis. Esta falta de reciprocidade representa o maior empecilho a acordos internacionais e faz voltar a perspectiva do protecionismo”.


Roberto Giannetti, diretor-titular do Derex da Fiesp

No mesmo tom, o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da federação, Roberto Giannetti, lamentou o fato de os países não respeitarem as deliberações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para o diretor, o órgão, cujo papel é regular o mercado internacional, passa por uma crise de autoridade, o que prejudica os acordos entre as nações. “Ora, se for para não respeitar as decisões, é melhor nem existir OMC”, reclamou.

Segundo Giannetti, a falta de legitimidade da Organização acarreta em “distorções” comerciais, como é o caso do câmbio chinês, que traz complicações à competitividade de países que possuem produtos concorrentes.

“A disparidade do câmbio da China chega a 40% de distorção. Quadros como esse inviabilizam a maior parte dos bons acordos internacionais”, enfatizou.

Poder de barganha

Apesar do debate acerca de um acordo bilateral entre Mercosul e UE estar paralisado desde 2004, os últimos anos assistiram a uma grande evolução no comércio entre Brasil e o bloco. Hoje, a UE é o principal destino das exportações brasileiras, o equivalente a 22%.


Rubens Barbosa, ex-embaixador e presidente Coscex da Fiesp
A continuidade das negociações, contudo, deve levar em conta a nova conjuntura mundial, defendeu Rubens Barbosa. Segundo ele, hoje a Europa se encontra em estado de recessão, ao passo que a economia brasileira está em constante crescimento.

“Este cenário, completamente distinto do existente em 2004, tem de ser considerado durante o debate técnico entre os blocos, que ocorrerá no próximo dia 27”, sublinhou.

O vice-presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, reiterou a posição do ex-embaixador ao lembrar que mesmo com a crise econômica o País ganhou 60 milhões de novos consumidores. “Este é o momento do Brasil. Fazer acordo com ele é muito bom para qualquer um”, comemorou.

O ex-embaixador também ressaltou a importância do Parlamento europeu ter reconhecido o Brasil como sócio estratégico, em 2007, fato que elevará o patamar do diálogo entre eles.

“Isto é importante não somente para a perspectiva de acordos políticos-comerciais, mas também à cumplicidade em decisões nos Fóruns Internacionais, sobretudo nas Nações Unidades e na OMC”, explicou.

Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp