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São Paulo - 10/03/2010


Conselho Estratégico da Fiesp sustenta que juros não devem subir

Presidente da Fiesp e empresários condenam possível alta de juros e defendem diálogo com os EUA no caso da retaliação comercial


Skaf: "A inflação está sob controle e não há inflação de demanda. Seria um absurdo subir os juros agora"
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, reuniu-se nesta quarta-feira (10) com empresários do Conselho Estratégico da entidade e afirmou que a elevação das taxas de juro pelo Banco Central (BC) não faz sentido nesse momento.

Na próxima semana deverá acontecer a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC que decidirá sobre a taxa Selic (juro básico da economia), hoje em 8,75% ao ano.

“A inflação está sob controle e não há inflação de demanda. Seria um absurdo subir os juros agora”, argumentou Skaf, e completou: “A economia brasileira tem tudo para crescer de 5% ou 6% em 2010, recuperando o que perdeu no ano passado. Mas, se aumentarmos os juros, esse crescimento pode não acontecer”.

O líder empresarial afirmou que a indústria nacional está trabalhando com uma margem de folga, pois o nível de produção atual ainda é inferior ao patamar registrado em setembro de 2008, antes do início da crise financeira internacional.

“A indústria investiu em 2009 e continua investindo esse ano para ampliar a capacidade de fabricação de mercadorias”, apontou.

Skaf informou que se reunirá com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nesta quinta-feira (11), às 15h, na sede da instituição federal em São Paulo.

“Tentarei sensibilizá-lo para o fato de que não há nenhuma necessidade de aumento de juros”, antecipou o presidente da Fiesp. Ele ainda alegou que a elevação dos juros provocaria mais despesas, tanto para o setor produtivo como para as contas públicas, pois a taxa Selic afeta também o pagamento de juros do governo.

Retaliação comercial

Outro assunto tratado na reunião foi a retaliação comercial autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) no contencioso sobre os subsídios ao algodão.

“A posição da Fiesp é de apoio total ao governo brasileiro, que está sendo firme e correto. Mas acreditamos que podemos dialogar", disse o presidente da Fiesp, e lembrou: "Já propus ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, a possibilidade de criar um fundo que apoie a cotonicutura nacional”.

Este fundo seria usado para desenvolver de novas sementes, combater pragas, aumentar a produtividade e melhorar da qualidade do algodão brasileiro, e teria algo em torno de US$ 100 milhões, financiados pelo governo americano.

O líder empresarial explicou que aguarda resposta dos EUA para que essa proposta seja discutida com o governo federal. “Retaliar não dá prazer a ninguém, e acaba gerando outras retaliações e abalando as relações entre os dois países”, concluiu Skaf.

Elcio Cabral, da Agência Indusnet Fiesp

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