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Embaixador dos EUA e Paulo Skaf buscam medidas para evitar retaliação
Presidente da Fiesp propõe criação de um fundo com dinheiro norte-americano. Thomas Shannon diz que há boa vontade dos EUA em evitar a represália

Paulo Skaf (à esq.) recebeu o novo embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, nesta segunda-feira (22), na Fiesp |
O imbróglio diplomático entre Brasil e Estados Unidos sobre o contencioso do algodão parece estar longe de um termo consensual. Em sua primeira visita oficial à Fiesp, o novo embaixador norte-americano no País, Thomas Shannon, preferiu não entrar em detalhes sobre as ações que o governo Obama usará para evitar que o Brasil cumpra a decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O órgão autorizou o País a retaliar os Estados Unidos em mais de US$ 800 milhões devido aos subsídios ilegais concedidos aos produtores de algodão. Deste valor, metade seria aplicada em medidas contra produtos e a outra metade em serviços e patentes.
O diplomata preferiu não se manifestar sobre uma possível decisão de seu governo, mas se mostrou otimista. Não posso entrar em detalhes neste momento, pois a situação é complicada. Mas acredito que há boas chances de encontrar uma solução positiva [...] É importante saber que para os Estados Unidos existe boa vontade em encontrar uma solução que evite a retaliação, disse o diplomata nesta segunda-feira (22), após encontro reservado com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
A não retaliação também é compartilhada por Skaf, mas ele reiterou que a resolução da OMC deve ser respeitada de alguma forma. Vamos trabalhar para encontrar caminhos fora da retaliação, desde que não afetem os interesses do Brasil, explicou o presidente da Fiesp.
De acordo com Skaf, é preciso lembrar que os Estados Unidos movimentam um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 14 trilhões, o que, segundo ele, é essencial aos interesses do Brasil. Temos interesse em aumentar nossas vendas de etanol, suco de laranja e carne. Por isso temos que criar uma alternativa que seja boa para o agronegócio brasileiro.
Paulo Skaf afirmou ainda que os produtores de algodão poderiam esperar até 2012, quando o Congresso norte-americano fará uma reforma em sua lei agrícola, a chamada Farm Bill, que regula o sistema agrícola dos Estados Unidos, inclusive sobre a questão dos subsídios epicentro da briga comercial. No entanto, Skaf ressalta que até esta data os produtores de algodão deveriam ser compensados de alguma forma.
Ele propôs ao embaixador a criação de um fundo, a partir de recursos do governo norte-americano, para financiar a lavoura brasileira e auxiliar o setor no combate a pragas e doenças, produtividade e na transferência de tecnologia.
Ouça aqui as entrevistas de Paulo Skaf e Thomas Shannon à Agência Radioweb
Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
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