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Fiesp organizará reunião em fevereiro para discutir entraves comerciais com Argentina
Paulo Skaf e o embaixador brasileiro no país vizinho, Ênio Cordeiro, afirmam que licenças não-automáticas devem ter redução gradual

Paulo Skaf (à dir.) e o embaixador do Brasil na Argentina, Ênio Cordeiro |
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu nesta segunda-feira (21) o novo embaixador do Brasil na Argentina, Ênio Cordeiro. Durante o encontro foram discutidos os entraves no comércio bilateral, como as licenças não-automáticas, acordos de limitação de exportações e casos de antidumping.
Vamos realizar uma reunião na Fiesp em fevereiro, logo após o Carnaval, com empresas que investem na Argentina, exportadores e importadores, informou Skaf em coletiva de imprensa realizada após o encontro.
Esta reunião será organizada pelo Derex (Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior), e terá como foco fortalecer o comércio dos dois países e o Mercosul.
O embaixador Ênio Cordeiro disse que sua vinda à Fiesp nesta segunda-feira (21) não foi só uma visita de cortesia. E adiantou que na próxima reunião pretende identificar com empresários brasileiros dificuldades na exportação e importação, além de buscar soluções e sugestões que permitam tomadas de decisão. "Vamos trabalhar para remover as dificuldades no comércio entre os dois países", enfatizou.
Paulo Skaf e o novo embaixador concordaram que um dos pontos mais importantes é reduzir gradualmente as licenças não-automáticas.
"É importante respeitar o prazo máximo de 60 dias previsto pelas regras de comércio internacional. A imprevisibilidade pode afetar gravemente a exportação de produtos para a Argentina", explicou o presidente da Fiesp, lembrando que o empresariado precisa ter certeza de quando e como poderá exportar.
Brasil-Argentina
Para Skaf, ainda é grave a formação de cartel, prática na qual empresários concorrentes combinam entre si preços de produtos. Ele condena tal estratégia, utilizada por alguns setores da indústria Argentina. "No Brasil, isso é crime passível de punição", ressaltou.
Na avaliação de empresários e governo, após as últimas negociações com a Argentina já houve sinais positivos de melhora, como a regularização da importação de perecíveis da Argentina e, em alguns casos, as licenças não-automáticas, que passaram a ser liberadas com maior rapidez. No entanto, setores como vidro, talheres e fios acrílicos ainda sofrem com práticas de dumping.
Retração
O ano de 2009 teve queda no comércio entre Brasil-Argentina. Segundo o embaixador, quase US$ 8 bilhões deixaram de ser negociados. Para ele, esta retração, que teve entre outros motivos a crise financeira internacional, não chega a assustar.
"De 2002 a 2008, houve um crescimento muito grande, quando chegamos a um recorde de negócios de cerca de US$ 30 bilhões no ano passado", lembrou o embaixador.
Cordeiro não deu previsões de quando esse patamar deverá ser recuperado, mas mostrou otimismo para o futuro: "O ano que vem é muito promissor para as relações Brasil-Argentina."
O país vizinho é o terceiro país com quem o Brasil mantém relações comerciais, ficando atrás apenas de Estados Unidos e China.
Ouça a entrevista do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e do embaixador Ênio Cordeiro à Agência Radioweb.
Elcio Cabral, Agência Indusnet Fiesp
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