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Comércio exterior
São Paulo - 17/11/2009


Real forte derruba exportações e aumenta importações no terceiro trimestre

Pesquisa da Fiesp mostrou uma retração de 1,6 ponto percentual na produção destinada ao exterior e aumento de 1 p.p no consumo dos importados nos últimos três meses


Roberto Giannetti da Fonseca,
diretor do Derex da Fiesp

O câmbio valorizado e o aquecimento da demanda doméstica foram os grandes influenciadores do resultado do Índice de Coeficiente de Exportação (C.E) e de Importação (C.I) da Fiesp, divulgado nesta terça-feira (17). Se no trimestre anterior o comportamento das exportações sobre a produção sinalizava para uma tendência de alta, enquanto que os importados sobre o consumo interno diminuíam, neste trimestre, o cenário se inverte.

Em relação ao mesmo período passado, a produção exportada, comparando com o total produzido no País (C.E) caiu de 22,9% para 21,3%, apresentando uma queda de 1,6 p.p. Neste mesmo período, a participação dos importados no consumo aparente do Brasil (C.I) aumentou um ponto percentual, saindo de 18,1% para 19%.

Na avaliação do diretor de Comércio Exterior e de Relações Internacionais (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, o câmbio de R$ 1,70 tirou a competitividade das exportações e fomentou o consumo dos importados.

Ele afirma que esta valorização cambial poderia ser controlada se houvesse uma ação mais prática e eficiente do Banco Central (BC). No entanto, ele assume que o sistema de câmbio deve ser livre e flutuante, mas que o BC deveria equilibrar a volatilidade excessiva e a valorização desregulada.

“Temos que parar de se autoproclamar sobre o sucesso do Brasil [...] Enquanto isso empregos estão sendo perdidos e se algo não for feito, estaremos mortos”, disse Giannetti, durante a divulgação do Índice. O diretor da Fiesp também criticou a ausência de uma autoridade monetária atuando na Bolsa de Valores, para controlar a entrada de capital especulativo no País.

“Se houvesse regras monetárias na Bolsa, não teríamos essa volatilidade e tendência continua de valorização cambial”, completou Giannetti, que ainda sugeriu um amento de 2% para 7% na taxação do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para a entrada de capital especulativo no País.

Análise setorial do Coeficiente de Exportação

Neste terceiro trimestre, comparado ao segundo, 21 dos 26 setores analisados apresentaram queda na parcela exportada em relação à sua produção. Outros quatro apresentaram elevação pífia.

O único setor com crescimento significativo foi o de coque, petróleo refinado e álcool, com alta de 1,9 ponto percentual o que representou 11,3% da produção destinada ao exterior contra 9,4% no trimestre anterior. Os demais setores que ampliaram sua parcela exportada atuaram de forma mais tímida, sendo eles:

  • Têxtil (aumento de 0,1 p.p.);
  • Papel e celulose (0,2 p.p.);
  • Perfumaria (0,3 p.p);
  • Veículos e autopeças (0,03 p.p.).

    Ainda comparando com o trimestre anterior, dos 21 setores que apresentaram queda, há casos de redução muito alta. A primeira a ser destacada é a indústria extrativa que exportava 60,7% de sua produção no trimestre anterior e passou a vender 47,8%, apresentando uma forte redução de 12,9 pontos percentuais.

    A indústria de produtos diversos caiu seis pontos percentuais. Vendia ao exterior 16,5% e passou a exportar 10,5% da produção. Outros com queda notável foram:
     
  • Calçados (3,6 p.p.);
  • Produtos de madeira (3,4 p.p.);
  • Químicos (2,3 p.p.);
  • Máquinas e equipamentos (2,3 p.p);
  • Outros equipamentos de transporte (2,2 p.p.).

    Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, apenas quatro setores apresentaram alta do C.E, como metalurgia básica (3,1 p.p.) celulose e papel (2,1 p.p.), químicos diversos (0,6 p.p.) e coque, petróleo e álcool (0,3 p.p.).

    Dos 22 setores com queda, deve-se destacar o forte recuo de 27 pontos percentuais no setor de outros equipamentos de transporte. Outros setores sofreram quedas importantes, como a indústria extrativa (16,4 p.p.), indústria de máquinas e equipamentos (7,7 p.p.), veículos e autopeças (5,4 p.p.) e produtos diversos (3,4 p.p.).

    Análise setorial do Coeficiente de Importação

    A análise setorial do C.I do 3º trimestre deste ano mostrou elevação da participação dos importados no consumo doméstico em 18 dos 26 setores analisados.

    Das altas mais importantes, o setor de coque, petróleo e álcool que importava 6,4% de seu consumo no segundo trimestre deste ano, importa agora 12,3%.

    O setor de equipamentos médico-hospitalares e ópticos, onde há maior participação de importados no consumo interno, aumentou de 55,1% para 59,1%. A indústria têxtil aumentou o C.I em 3,1 pontos percentuais e a indústria de máquinas e aparelhos elétricos teve alta de 2,4 pontos percentuais.

    Das indústrias que reduziram o C.I neste período, destacam-se:
     
  • Máquinas e equipamentos (3,2 p.p.);
  • Indústria extrativa (2,9 p.p.);
  • Indústria de outros equipamentos de transportes (2,6 p.p).

    Quando a comparação é feita com o mesmo trimestre do ano anterior, a queda do C.I setorial foi generalizada. Apenas dois setores, do total de 26 deles, apresentaram alta: as máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com 1,3 p.p e os alimentos com alta de 0,4 p.p

    Do lado dos setores que apresentaram queda no C.I deste trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, a maior queda fica por conta da indústria de outros equipamentos de transporte com redução de 18,8 p.p. (consumia 38,4% de importados e passou a consumir 19,6%), os equipamentos médico-hospitalares ópticos caíram 7,2 p.p., seguidos da indústria de máquinas e equipamentos com queda de 6,8 p.p., além das indústrias extrativas que reduziram o C.I em 5,4 p.p.


  • Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp