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São Paulo - 11/11/2009


Setor produtivo paulista abre 9.000 postos de trabalho em outubro

"Estamos reduzindo o estoque negativo das perdas no emprego. Este resultado é fortemente positivo", diz diretor do Depecon da Fiesp/Ciesp


Paulo Francini, diretor-titular do Depecon da Fiesp
A indústria paulista de transformação contabilizou o segundo mês seguido de crescimento no emprego em outubro, após a trajetória de queda percorrida com a eclosão da crise financeira há um ano.

O setor abriu 9.000 postos de trabalho no mês, uma variação de 0,41% sobre setembro, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11) pela Fiesp e o Ciesp. Com ajuste sazonal, houve alta de 0,28%.

“Estamos reduzindo o estoque negativo das perdas no emprego. O mês de outubro nos deu um resultado fortemente positivo comparado a períodos anteriores, mesmo naqueles antes da crise”, avaliou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp.

As variações percentuais foram as maiores para o mês de outubro desde 2005, segundo o estudo. O saldo de empregos nos dez primeiros meses do ano contabiliza perda de 34 mil postos de trabalho (-1,49%), e em relação a outubro de 2008 a indústria tem 184 mil vagas a menos (-7,61%).  Esta queda deverá diminuir para 3% ou 4% no fechamento do ano, segundo estimativa do Depecon, o equivalente à eliminação de 80 mil vagas.

Mas as previsões são boas, segundo Paulo Francini. A Fiesp e o Ciesp esperam uma “grande reversão” da atividade industrial em 2010, e o que vem junto dela, como o nível de emprego. “Quando há grandes quedas, podemos imaginar que haverá grandes crescimentos pela frente”, ponderou Francini.

As entidades acreditam em um aumento superior a 5% para o Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. Apenas pelo efeito estatístico “carry over” – que mede o crescimento que passa naturalmente de um ano para o outro –, a economia já está garantindo uma alta de 2,5%. Na indústria, essa variação atinge 8%.

“Uma projeção de 8% a 10% para a indústria em 2010 é estatística, modesta. O setor vai apresentar uma forte taxa de crescimento e recuperação do emprego no ano que vem”, frisou Francini. “O grande impacto da atividade em 2009 chama-se exportação, que atingiu o segmento industrial em cerca de 8%. Mas esse fator, em 2010, há de se somar ao mercado doméstico que já é forte”, projetou o diretor do Depecon.

Indicadores setoriais

O setor sucroalcooleiro, responsável pela geração de 50 mil vagas no ano, respondeu novamente pela maior parte das demissões em outubro, que atingiram mil trabalhadores.

Nos demais setores, o saldo de vagas foi positivo, puxado pelo bom desempenho de 16 atividades industriais. Apenas quatro setores registraram saldo negativo, e dois ficaram estáveis.“Este é um sinal inequívoco de que a recuperação do emprego está espalhada pelo setor industrial”, ressaltou Paulo Francini.

Os três primeiros setores do ranking estão ligados ao incremento da produção no final do ano, devido à demanda sazonal. Em primeiro lugar, Couro, Artigos de Viagem e Calçados (2,4%), seguido de Produtos Têxteis (1,5%) e Móveis (1,3%).

A variação negativa veio de Outros Equipamentos de Transporte (principalmente aeroviário e metroviário), com queda de 1,6%; Fabricação de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-0,7%); Impressão e Reprodução de Gravações (-0,6%) e Máquinas e Equipamentos (-0,5%).

Regiões

Das 36 Diretorias Regionais do Ciesp pesquisadas, 27 apresentaram bom desempenho no mês, seis tiveram comportamento negativo e três ficaram estáveis. O emprego na Grande São Paulo (0,54%) – onde a produção está espraiada nos diversos setores – continua acima do desempenho do interior paulista, que subiu 0,36%.

  • Franca liderou as contratações, com crescimento de 5,21%, influenciado por Couro, Artigos de Viagem e Calçados (8,76%) e Borracha e Plástico (1,71%);

  • Matão aparece na sequência, com alta de 3,74% no mês, puxada por Máquinas e Equipamentos (7,64%) e Confecção e Vestuário (4,44%);

  • Em terceiro lugar, Bauru, com expansão de 1,33%, devido à geração de empregos nos setores de Máquinas e Equipamentos (6,5%) e Confecção e Vestuário (1,14%).


    O nível de emprego industrial teve queda mais expressiva nas regiões de:

  • Botucatu (-2,17%), devido ao recuo nos setores de Confecção e Vestuário (-15,89%) e Produtos Alimentares (-0,38%);

  • Presidente Prudente (-0,42%), sentida nos segmentos de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-3,93%) e Confecção e Vestuário (-1,67%);

  • Araçatuba (-0,33%), influenciada por Confecção e Vestuário (-13,39%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-0,5%).

    Sensor

    O indicador antecedente da Fiesp, que mede a sensação do empresário quanto ao ambiente de negócios, indicou uma perda relativa nos itens vendas e investimentos, na apuração da primeira quinzena de novembro. O índice geral ficou em 56,3 pontos, ligeiramente abaixo do registrado na quinzena anterior (58,3).

    A percepção para vendas caiu de 59,6 para 56,5 pontos, e os investimentos saíram de 58,5 para 54,6 pontos. Mercado (56), estoque (49,5) e emprego (56) seguem estáveis.

    “O mercado está forte, e o estoque ajustado. Atravessamos uma fase de ajuste dos estoques, mas agora a tendência é acompanhar o ritmo da demanda final”, explicou Francini. “Não percebemos nuvens no horizonte imediato”, concluiu.

    Clique aqui para ver o estudo completo.

    Ouça a entrevista de Paulo Francini à Agência Radioweb, clique aqui.



  • Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp