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Locomotiva: O Brasil nos trilhos do crescimento
Na Fiesp, ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinaliza crescimento de 8% a 10% no terceiro trimestre de 2009, durante evento Brasil-Itália

Guido Mantega, ministro da Fazenda:
"Brasil entrou forte na trilha do crescimento" |
Presente nesta terça-feira (10) ao segundo dia do II Fórum Brasil-Itália, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou, em números, que o Brasil saiu da crise e entrou forte na trilha do crescimento.
Os números são mais do que otimistas: após dois trimestres negativos (o último de 2008 e o primeiro de 2009), o Produto Interno Bruto (PIB) fechará entre 8% e 10% no terceiro trimestre de 2009, em termos anualizados. No segundo trimestre deste ano tivemos um PIB positivo, especificamente de 7,8%", informou.
A economia brasileira, que nos últimos anos crescia a um ritmo de 5%, se retraiu com a crise, mas deve fechar 2009 em um patamar positivo de 1%. Um índice tímido, mas desejável perante as demais economias mundiais que amargam números negativos.
O aumento do nível de consumo nos últimos 12 meses alcançou a marca de 5,5% a 6%, em comparação com o mesmo período anterior. Antes da crise, o ritmo era de 10%. Com contas equilibradas, o Brasil, que é hoje a nona economia mundial, em 2016 deve conquistar a quinta colocação, na análise do ministro.
Classe média
Esse aquecimento tem lógica, segundo Guido Mantega. Mais de 100 milhões de pessoas acabam de chegar ao mercado de consumo: cerca de 50% da população brasileira entraram para a classe média, gerando forte demanda por bens.
Ele sinalizou que a indústria automobilística, de janeiro a outubro deste ano, registrou aumento de vendas da ordem de 6%.
Nos Estados Unidos, há um automóvel para cada habitante, índice similar ao Japão e à Alemanha. No Brasil, a média é de um veículo para cada sete habitantes, afirmou Mantega, dimensionando o espectro de expansão do setor automobilístico no País.
A produção e a venda da linha branca também são fatores que incrementaram o consumo. A estabilidade, o aumento real do salário mínimo, os programas sociais (Bolsa Família e LOAS) e o incremento da massa salarial não só aqueceram a economia como possibilitaram ao País gerar um milhão de empregos.

Presidente Lula: "A matriz energética vai ter que mudar; é uma questão de tempo" |
O presidente Luis Inácio Lula da Silva reforçou esses dados: Pela primeira vez, as classes C e D do Norte e Nordeste consumiram 5% mais do que as classes A e B do Sudeste. E alfinetou: Todos os países da Europa se esqueceram um pouco do Brasil, em função da inclusão dos países do Leste Europeu. Os Estados Unidos vão demorar muito tempo para voltar a ser o consumidor prioritário do mundo; serão mais cuidadosos, como comentou o presidente americano Barack Obama. Uma saída viável é o mercado consumidor brasileiro.
Com um sistema financeiro sólido e 100% do PIB como crédito doméstico, segundo o ministro Mantega, já se iniciou um novo ciclo de expansão de longo prazo da economia brasileira com melhores perspectivas de investimento nos próximos anos.
Nesse ciclo se inclui um conjunto de grandes projetos nas áreas de eletricidade, construção e logística de transporte, como grandes ferrovias e o trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo , que se soma às possibilidades do pré-sal, da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016.
Valorização da moeda
O ministro da Fazenda não se omitiu em relação à recente taxação (Imposto Sobre Operações Financeiras-IOF para ações e renda fixa) para o capital que entra no País: É para evitar bolhas e exagero das aplicações, além da excessiva valorização da moeda brasileira, garantindo a solidez da economia nacional", justificou.
Mantega argumentou que o real tem hoje uma sobrevalorização de 23% em relação ao euro. E lembrou que o valor da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é superior ao do Nasdaq, perdendo somente para as Bolsas de Chicago e Hong Kong.
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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