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Brasil é 'farol' da Itália na América Latina, diz ministro italiano
Segundo o ministro de Desenvolvimento Econômico, Claudio Scajola, governo Berlusconi vai se empenhar por acordo entre União Europeia e Mercosul

Claudio Scajola, ministro de Desenvolvimento Econômico da Itália |
O governo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, está decidido a fortalecer as relações político-econômicas com a América Latina, sobretudo com o Brasil, seu principal parceiro na região. A afirmação foi feita nesta terça-feira (10) pelo ministro de Desenvolvimento Econômico da Itália, Claudio Scajola.
O Brasil é o nosso farol no continente. Principalmente em um momento delicado como este, de crise econômica. Haverá um compromisso e empenho para acelerar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, garantiu o ministro italiano, que participou da abertura do II Fórum Econômico Brasil Itália, na sede da Fiesp, em São Paulo.
Os dois blocos econômicos retomaram o diálogo neste ano e sinalizam um possível acordo para 2010, estagnado há cinco anos devido à proteção agrícola por parte dos países europeus.
Segundo o vice-ministro italiano de Desenvolvimento Econômico, Adolfo Urso, a Itália sempre defendeu o acordo UE-Mercosul e espera que as negociações possam avançar em breve.
Hoje esse acordo está congelado e será difícil relançá-lo. Mas é possível que seja realizado na primeira metade do ano que vem, com a presidência espanhola da União Europeia, outro país claramente favorável a essa parceria, acenou Urso.
Brasil-Itália: motor do desenvolvimento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou maior aproximação comercial entre os países. Segundo ele, o fluxo bilateral é muito pouco para o tamanho de Brasil e Itália. Temos potencial para ser uma porta de entrada dos produtos italianos no Mercosul, e a Itália, a entrada dos nossos produtos na Europa, disse.
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Adolfo Urso, vice-ministro italiano do Desenvolvimento Econômico
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Lula lembrou que a Europa se preocupou muito com a inclusão do Leste Europeu nos últimos anos, e que esqueceu dos seus parceiros originais, como o Brasil. Compreendemos que há problemas internos, mas a crise nos obriga a pensar qual modelo de desenvolvimento queremos a partir de agora, cobrou.
De 2003 a 2008, a Itália reduziu sua participação como destino das exportações brasileiras de 3% para 2,4%. O mesmo ocorreu no lado inverso: os produtos italianos têm uma cota inferior a 3% do mercado brasileiro (caiu 0,6% em cinco anos, para 2,7%).
Desde 2004, ano anterior ao protocolo de entendimentos firmado entre a Fiesp e a Confindustria, a balança comercial entre os dois países cresceu 89,1%, saindo de US$ 5 bilhões para US$ 9,4 bilhões.
Mas, segundo o ministro italiano Claudio Scajola, os países precisam se motivar a fazer melhor do que isso. A Itália reduziu suas trocas comerciais em mais de 60% com a crise financeira.
Que os nossos governos se deem esse ambicioso objetivo: dobrar em cinco anos as relações econômicas e comerciais. Podemos fazer do eixo Brasil-Itália um dos principais motores do desenvolvimento econômico do nosso planeta, avaliou Scajola.
Nos últimos 12 meses, o Brasil exportou cerca de US$ 3,6 bilhões para Itália, que se destaca como compradora de minérios (13,7%), café, chá e especiarias (11,8%) e sementes e frutos oleaginosos, como a soja (11,5%).
Do lado das compras, o Brasil importou um total de US$ 3,9 bilhões no mesmo período, principalmente nos setores de máquinas e aparelhos mecânicos (36,4%), máquinas e aparelhos elétricos (10,5%) e veículos (8,6%).
Novo momento político

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Precisamos descobrir novos consumidores" |
O presidente Lula destacou alguns pontos com que os países devem começar a se preocupar no pós-crise. O principal deles: levará tempo para que os Estados Unidos voltem a ser os consumidores prioritários do mundo.
Estamos em uma fase que precisamos descobrir novos consumidores. O que seria do mundo hoje se não tivéssemos a China? Ou a Índia? Ou, ainda, China, Índia e o Brasil?, indagou o Presidente.
Em referência à possível aproximação entre China e Estados Unidos e formação de um G-2, Lula afirmou que a crise é um bom momento para refletir no cenário político global.
Cabe a nós, nesse momento, começar a discutir como contribuir com o continente africano e os países mais pobres da América Latina, para que possam alcançar o desenvolvimento. Eles só serão consumidores dos nossos produtos se tiverem poder de consumo, enfatizou.
Lula também cobrou uma atuação mais forte da União Europeia para cumprir a adição de 10% de etanol aos combustíveis em 2020. Ou começa agora a fazer estoque e instalar usinas, ou mais uma vez não vai cumprir o que foi acordado, insistiu.
A matriz precisa ficar mais limpa, e isso vai ter que mudar, é uma questão de tempo. Todos serão vítimas da questão do clima, e é preciso envolvimento dos países desenvolvidos, arrematou.
Ouça aqui as entrevistas do presidente Lula, Paulo Skaf (Fiesp) e Emma Marcegaglia (Confindustria) à Agência RadioWeb.
Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp
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