INFORMAÇÕES DA INDÚSTRIA  
NEWSLETTER  
REVISTA DA INDÚSTRIA
CAPITAL HUMANO
MACRO VISÃO
INFORMATIVO REGIONAL
 
   
 
Relações exteriores
São Paulo - 10/11/2009


Brasil é 'farol' da Itália na América Latina, diz ministro italiano

Segundo o ministro de Desenvolvimento Econômico, Claudio Scajola, governo Berlusconi vai se empenhar por acordo entre União Europeia e Mercosul


Claudio Scajola, ministro de Desenvolvimento Econômico da Itália
O governo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, está decidido a fortalecer as relações político-econômicas com a América Latina, sobretudo com o Brasil, seu principal parceiro na região. A afirmação foi feita nesta terça-feira (10) pelo ministro de Desenvolvimento Econômico da Itália, Claudio Scajola.

“O Brasil é o nosso farol no continente. Principalmente em um momento delicado como este, de crise econômica. Haverá um compromisso e empenho para acelerar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul”, garantiu o ministro italiano, que participou da abertura do II Fórum Econômico Brasil Itália, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Os dois blocos econômicos retomaram o diálogo neste ano e sinalizam um “possível acordo” para 2010, estagnado há cinco anos devido à proteção agrícola por parte dos países europeus.

Segundo o vice-ministro italiano de Desenvolvimento Econômico, Adolfo Urso, a Itália sempre defendeu o acordo UE-Mercosul e espera que as negociações possam avançar em breve.

“Hoje esse acordo está congelado e será difícil relançá-lo. Mas é possível que seja realizado na primeira metade do ano que vem, com a presidência espanhola da União Europeia, outro país claramente favorável a essa parceria”, acenou Urso.

Brasil-Itália: motor do desenvolvimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou maior aproximação comercial entre os países. Segundo ele, o fluxo bilateral é muito pouco para o tamanho de Brasil e Itália. “Temos potencial para ser uma porta de entrada dos produtos italianos no Mercosul, e a Itália, a entrada dos nossos produtos na Europa”, disse.


Adolfo Urso, vice-ministro italiano do Desenvolvimento Econômico

Lula lembrou que a Europa se preocupou muito com a inclusão do Leste Europeu nos últimos anos, e que “esqueceu dos seus parceiros originais”, como o Brasil. “Compreendemos que há problemas internos, mas a crise nos obriga a pensar qual modelo de desenvolvimento queremos a partir de agora”, cobrou.

De 2003 a 2008, a Itália reduziu sua participação como destino das exportações brasileiras de 3% para 2,4%. O mesmo ocorreu no lado inverso: os produtos italianos têm uma cota inferior a 3% do mercado brasileiro (caiu 0,6% em cinco anos, para 2,7%).

Desde 2004, ano anterior ao protocolo de entendimentos firmado entre a Fiesp e a Confindustria, a balança comercial entre os dois países cresceu 89,1%, saindo de US$ 5 bilhões para US$ 9,4 bilhões.

Mas, segundo o ministro italiano Claudio Scajola, os países precisam se motivar a fazer melhor do que isso. A Itália reduziu suas trocas comerciais em mais de 60% com a crise financeira.

“Que os nossos governos se deem esse ambicioso objetivo: dobrar em cinco anos as relações econômicas e comerciais. Podemos fazer do eixo Brasil-Itália um dos principais motores do desenvolvimento econômico do nosso planeta”, avaliou Scajola.

Nos últimos 12 meses, o Brasil exportou cerca de US$ 3,6 bilhões para Itália, que se destaca como compradora de minérios (13,7%), café, chá e especiarias (11,8%) e sementes e frutos oleaginosos, como a soja (11,5%).

Do lado das compras, o Brasil importou um total de US$ 3,9 bilhões no mesmo período, principalmente nos setores de máquinas e aparelhos mecânicos (36,4%), máquinas e aparelhos elétricos (10,5%) e veículos (8,6%).

Novo momento político


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Precisamos descobrir novos consumidores"
O presidente Lula destacou alguns pontos com que os países devem começar a se preocupar no pós-crise. O principal deles: levará tempo para que os Estados Unidos voltem a ser os consumidores prioritários do mundo.

“Estamos em uma fase que precisamos descobrir novos consumidores. O que seria do mundo hoje se não tivéssemos a China? Ou a Índia? Ou, ainda, China, Índia e o Brasil?”, indagou o Presidente.

Em referência à possível aproximação entre China e Estados Unidos e formação de um G-2, Lula afirmou que a crise é um bom momento para refletir no cenário político global.

“Cabe a nós, nesse momento, começar a discutir como contribuir com o continente africano e os países mais pobres da América Latina, para que possam alcançar o desenvolvimento. Eles só serão consumidores dos nossos produtos se tiverem poder de consumo”, enfatizou.

Lula também cobrou uma atuação mais forte da União Europeia para cumprir a adição de 10% de etanol aos combustíveis em 2020. “Ou começa agora a fazer estoque e instalar usinas, ou mais uma vez não vai cumprir o que foi acordado”, insistiu.

“A matriz precisa ficar mais limpa, e isso vai ter que mudar, é uma questão de tempo. Todos serão vítimas da questão do clima, e é preciso envolvimento dos países desenvolvidos”, arrematou.

Ouça aqui as entrevistas do presidente Lula, Paulo Skaf (Fiesp) e Emma Marcegaglia (Confindustria) à Agência RadioWeb.



Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

LEIA MAIS

Brasil tem diversas oportunidades de investimento para empresas italianas

O ano da Itália no Brasil começa agora

Brasil e Itália discutem parcerias em áreas industriais estratégicas

Fiesp promove missão empresarial Brasil-Itália

Locomotiva: O Brasil nos trilhos do crescimento