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10º Encontro de Energia
São Paulo - 05/10/2009


Governo quer autosuficiência em enriquecimento de urânio até 2014

Tecnologia nuclear será maior fonte complementar à rede hidrelétrica e trará mais qualidade a alimentos e saúde pública, dizem especialistas

Foto: Flávio Martin
Odair Dias Gonçalves, presidente do CNEN
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) – órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia –, Odair Dias Gonçalves, disse que o Governo espera alcançar a autosuficiência no enriquecimento do urânio até 2014, nesta segunda-feira (5), no primeiro dia do 10º Encontro Internacional de Energia, organizado pela Fiesp e o Ciesp.

Para que isto seja possível, Gonçalves atentou à necessidade de incentivar investimentos e formação de mão de obra especializada para a área. “Além da autonomia em relação ao urânio, nossa meta é a construção de quatro a oito usinas nucleares até 2030”, ressaltou.

Segundo o presidente da CNEN, o Brasil é um dos três países do mundo que conciliam grandes reservas de urânio com potencial tecnológico para explorá-lo, ao lado somente dos Estados Unidos e da Rússia.

“Temos a primeira ou a segunda maior reserva deste minério no mundo, portanto, seria um enorme desperdício deixar de lado o empreendimento”, advertiu.

Vantagens Nucleares

Gonçalves ressaltou os benefícios que o País pode conquistar com o desenvolvimento de técnicas nucleares, principalmente para as áreas da saúde e do agronegócio e defesa.

Para o Sistema Único de Saúde (SUS) o investimento neste tipo fonte energética pode fornecer aparelhos que permitem tomografias mais complexas e, por extensão, acesso da população mais carente ao exame, disse.

O agronegócio também terá melhorias, argumentou o palestrante. Segundo ele, o avanço tecnológico no setor tornará mais baratos equipamentos como o Irradiador CO-60, que esteriliza grãos e sementes, prolongam sua validade e não afetam em nada sua estrutura.

Outra vantagem importante do uso do urânio enriquecido foi mostrada pelo diretor da Eletronuclear, Leonam Guimarães. Ele afirmou que a tendência é a energia termo-nuclear tranformar-se no principal complemento nacional às hidrelétricas.

“Em 2030, nosso potencial hídrico estará praticamente esgotado. Somadas as energias eólicas, fósseis e gasosas, a nuclear ainda teria de compensar 4 GW para abastecermos toda a população brasileira”, explicou Santos. “Por isso o ministro Lobão [Minas e Energia] afirmou que a partir dessa data seria necessário implantar uma nova usina a cada ano, até 2016, pois só assim não corremos o risco de sobrecarregar o sistema hidrelétrico”, crescentou.

Mão de obra

Foto: Flávio Martin
Edson Kuramoto, diretor de
comunicação da ABEN

Um dos maiores desafios que o País deve enfrentar para expandir suas reservas nucleares é a formação de recursos humanos especializados, argumentou o diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Edson Kuramoto.

“Há muito tempo não temos reposição da mão de obra adequada para o setor, desde o fomento das Angras 1 e 2. A média de idade destes profissionais já está em torno de 54 anos”, sublinhou.

Segundo Kuramoto, restam ainda 70% do território brasileiro para o Programa Nacional de Energia (PNE) prospectar, em relação à distribuição energética nuclear, “o que vai demandar muito investimento na educação tecnológica para o segmento”, concluiu.

Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp

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