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Aquecimento global cumulativo
Nas próximas décadas, metade do Nordeste se tornará inabitável, advertiu o ex-ministro Rubens Ricupero em debate no Congresso da Indústria
O ex-ministro de Relações Exteriores, Rubens Ricupero, reforçou a necessidade de estabelecimento de metas obrigatórias, em Copenhague, em função dos países emergentes, como a China e a Índia, dependentes do carvão, em contraponto à matriz energética limpa brasileira.
O aquecimento global é cumulativo. A elevação de 0,8ºC se deu desde a Revolução Industrial até os dias atuais. Na década de 90, as taxas de emissão de carbono subiram 1,2%, em 2000 se elevaram 3,6%. Os países emergentes são responsáveis por 80% do aumento das emissões, explicou o ex-ministro, durante o Congresso da Indústria, realizado pela Fiesp e o Ciesp, nesta segunda-feira (28), em São Paulo.
De acordo com Ricupero, os países mais prejudicados serão os mais quentes. "Nas próximas décadas, por exemplo, metade do Nordeste poderá se tornar inabitável, segundo estudos recentes, e os países frios poderão ter a falsa sensação de um aumento do período de plantio", pontuou.
A crise ambiental é permanente, reforçou o presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp, Walter Lazzarini, citando dados comparativos interessantes: as reservas petrolíferas levaram 600 milhões de anos para se formar e o homem as consumiu em apenas 300.
Outro dado comparativo diz respeito à velocidade média dos veículos modernos cada vez mais velozes: em Londres, a velocidade é comparável às saudosas carruagens. É preciso sair de uma economia clássica e caminhar para uma economia de baixa emissão de carbono, gerando empregos verdes, pediu Lazzarini.
Para Guilherme Leal, presidente da Natura, há importantes capitais a serem considerados, como o natural e o social, quando o assunto é sustentabilidade. Vivemos em um modelo de civilização cujo contrato está esgotado. Não é possível falar de sustentabilidade quando há um bilhão de pessoas sem acesso à água potável, comparou. Ou seja, os novos negócios devem vir acompanhados de outros valores.
Leal ressaltou que o Brasil tem realmente o maior patrimônio mundial em biodiversidade, mas também vasta diversidade racial, cultural e social, ativos suficientes para que o Brasil seja uma grande potência no século 21. É preciso um acordo nacional que nos leve a ser um País diferente, finalizou.
De acordo com Sérgio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, a solução dos problemas ambientais passa obrigatoriamente pelas pessoas, por isso, é preciso montar um desenho equilibrado para a Amazônia, afirmou, encerrando o painel sobre sustentabilidade.
Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp
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