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Parceria entre países emergentes e desenvolvidos é a solução para o Meio Ambiente
Para Kazuma Yamane, especialista em Tecnologia Sustentável, troca entre as nações é fundamental para o crescimento com responsabilidade ambiental
Para que o mundo consiga superar seus desafios climáticos e ambientais é necessária a união entre países tecnologicamente desenvolvidos e nações com recursos naturais abundantes, como no caso de Japão e Brasil. A afirmação é do especialista japonês em tecnologia sustentável, Kazuma Yamane.
Durante o Diálogo Brasil - Japão: o meio ambiente e a indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Consulado do Japão em São Paulo, nesta sexta-feira (25) na sede da entidade, Yamane apresentou iniciativas tecnológicas japonesas que visam a redução do consumo de energia e diminuição da emissão de gases poluentes na atmosfera.
O Japão investe muito em produtos que não agridem o meio ambiente. Mas para que isso seja mundialmente difundido é imprescindível um elo com países como o Brasil, que podem nos oferecer insumos que não possuímos, argumentou.
Segundo ele, esse tipo de empreendimento, apesar dos altos custos iniciais em pesquisa e implantação, representará uma economia significativa para o futuro.
As mudanças climáticas terão um preço muito mais elevado do que qualquer política ambiental preventiva, pois se não nos mexermos agora, num futuro próximo grande parte dos impostos e da força produtiva terá de ser voltada para salvarmos o planeta, advertiu.
Por outro lado, o Brasil, em sua condição de país emergente, apresenta necessidades distintas. Segundo o diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, o País já possui uma economia de baixa produção de carbono, além de manter uma matriz energética limpa.
A indústria tem suas peculiaridades [...] Ela precisa crescer e isso exige um certo grau de emissão de carbonos. Mas como nossa produção emite poucos poluentes, a maior demanda é reduzir o ritmo dessas emissões, esclareceu o diretor.
Para ele, o alcance das metas também depende da participação do Governo. Tentaremos convencer o poder executivo da necessidade de elaborar um inventário de emissões de gás carbônico na atmosfera, pois só assim a indústria será capaz de encontrar o limite do crescimento e da responsabilidade ambiental, concluiu Reis.
Tecnologias Limpas
Durante o evento, o especialista japonês disse que seu país tem investido em inúmeros produtos voltados ao baixo impacto ambiental. Para isso, tecnologias inovadoras foram ou estão sendo desenvolvidas.
Agroflorestamento
Trata-se de um novo tipo de atividade agrícola, em que o plantio, principalmente de monoculturas como o cacau e a pimenta do reino, é feito junto à mata nativa, o que evita o desmatamento da região utlizada.
Dessa forma, o cultivo do produto fica ligado ao equilíbrio natural da fauna e da flora e isso torna os agrotóxicos desnecessários, já que a plantação é regulada pelo próprio ecossistema, ressaltou Yamane.
Quanto maior a área florestal e sua biodiversidade, maior também será a atividade agrícola e a variedade dos insumos. A preservação ambiental e o crescimento econômico caminham lado a lado, acrescentou.
O agroflorestamento já funciona em regiões próximas à floresta amazônica e são incentivadas pelo governo japonês por meio de famílias nipo-brasileiras.
Reciclagem industrial
Outro exemplo destacado por Yamane foi a agilidade japonesa no processo de reciclagem. O país possui um maquinário de ponta que separa rapidamente todos os componentes reutilizáveis de produtos industriais complexos.
Por exemplo, a reciclagem de carros e de aparelhos de ar-condicionado inutilizados: uma espécie de esteira de desmontagem que seleciona cada material (plástico, vidro, ferro, cobre) que poderá ser reaproveitado em novas produções.
O processo todo dura 45 minutos e ao final as matérias-primas, todas separadas, já podem ir direto para as fábricas, destacou o especialista.
Veículos híbridos
A Toyota japonesa comercializou um automóvel que consegue rodar 40 km com apenas um litro de gasolina comum. Este desempenho só é possível graças à junção do motor mecânico com um gerador de energia. Os primeiros quilômetros rodados ficam por conta do sistema elétrico que, quando descarregado, dá lugar à gasolina.
Enquanto o veículo é movido pela combustão, o gerador vai sendo recarregado pelas energias do próprio movimento do carro e da força de atrito do freio. Restabelecida a energia, o sistema eletrônico volta automaticamente a funcionar.
Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp
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