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Brasil será um dos primeiros a sair da crise, diz José Mendonça de Barros
Demanda doméstica e política de juros baixos influenciarão retomada. Ainda assim, economista prevê crescimento negativo para este ano

O economista José Mendonça de Barros (à esq.) e o senador Romeu Tuma (PTB-SP), durante reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp |
Um ano após o estouro da crise financeira internacional, a atividade econômica brasileira mostra sinais de recuperação, causados principalmente pelo aquecimento da demanda doméstica.
No entanto, é necessário que os juros, a inflação e a concessão de créditos permaneçam competitivos para que o País volte a crescer, conforme explicou o economista José Mendonça de Barros, ex-integrante da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso.
Segundo ele, o Produto Interno Bruto (PIB) rapidamente vai se recuperar, baseado no crescimento das exportações de commodities e, novamente, pelo vigor do mercado interno grande responsável pelo aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre.
Sobre os juros e a inflação, o economista segue otimista. "A consolidação de juros nominais e reais de um dígito é uma mudança estrutural importante, que favorece o crescimento", disse Barros, nesta segunda-feira (14), durante reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp.
Apesar da retomada de fôlego, o economista atenta para os baixos índices de investimentos, aumento do emprego público, elevação dos gastos de custeio e para os riscos fiscais associados ao processo político, como a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e o reajuste de 17% para os aposentados retroativo a 2006. Neste caso, a despesa adicional seria de R$ 12 bilhões.
Sobre os rumos da economia brasileira, José Mendonça de Barros prevê um crescimento negativo de 1,1% para 2009 e de 2,5% para 2010. Já para os países desenvolvidos, a previsão é bem mais pessimista.
Pelas contas do economista, a Alemanha será uma das economias mais prejudicadas, com uma retração para este ano de 6,2%, seguido do Japão, com queda de 6%. Já China deve apresentar um crescimento positivo de 6,5%, deixando para trás a Índia, que deve crescer um pouco menos, cerca de 5%.
Mendonça de Barros diz que será a partir do ano que vem que alguns países, como Brasil, de fato poderão dizer que sairam da crise. Porém, o economista afirma que é preciso "ficar de olho" em alguns pontos importantes:
Na sustentação do crescimento da China uma vez que o consumo dos Estados Unidos deve continuar baixo;
Na redução da volatilidade (o dólar retoma uma tendência de desvalorização);
Na elevação da taxa de poupança nos Estados Unidos;
Na elevação das taxas de juros no governo Obama, mais adiante, dado o receio do aparecimento de pressões inflacionárias.
Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
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