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São Paulo - 11/09/2009


Presidente de El Salvador quer transformar seu país em trampolim para EUA

Mauricio Funes busca parceria com Brasil para diminuir abismo comercial entre as duas economias e frear sua dependência com Estados Unidos


Mauricio Funes, presidente de El Salvador

Dois meses após assumir o governo de El Salvador, o presidente Mauricio Funes veio ao Brasil com principal o objetivo de tirar seu país da recessão econômica e limitar a dependência nas exportações para os Estados Unidos – 50% de toda venda ao exterior.

O salvadorenho se reuniu com empresários nesta quinta-feira (10), na Fiesp, a fim de incentivar o setor privado a pensar em El Salvador como plataforma de exportação para os produtos brasileiros.

Maurício Funes citou os setores têxtil e calçadista como promissores, mas destacou o etanol. Segundo ele, seu país oferece terras em condições favoráveis para o cultivo de cana-de-açúcar, que poderiam ser usadas pelas empresas brasileiras.

"O etanol poderia entrar no mercado norte-americano sem as barreiras alfandegárias, devido ao acordo de livre-comércio que El Salvador mantém com os Estados Unidos", indicou o presidente Furnes, durante encontro com empresários na Fiesp.

Transporte público

O governante salvadorenho também mencionou o interesse de seu governo em firmar parceria com o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a modernização o sistema de transporte público de El Salvador. De acordo com ele, esta mudança no modal beneficiaria mais cinco mil pessoas.


Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp
Mauricio Funes também pediu apoio do Brasil para conter o abismo na balança comercial entre os dois países. Dados do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (Mdic) mostram que no ano passado, a corrente de comércio entre as duas economias alcançou apenas US$ 252,8 milhões, tornando o Brasil altamente superavitário em US$ 249,8 milhões.

As exportações salvadorenhas para o País, de US$ 3,1 milhões, concentraram-se basicamente em resíduos de alumínio e peixes frescos, refrigerados ou congelados.

Políticas públicas 

Presente no encontro, o vice-presidente da Fiesp, empresário Benjamin Steinbruch, incentivou o presidente salvadorenho a investir em políticas públicas e inclusão social. Segundo ele, essa é a "fórmula mágica" para um país enfrentar uma crise econômica, e citou o governo Lula como exemplo.

"Apesar da crise, o Brasil passa por um bom momento econômico. Isso graças às políticas adotadas pelo atual governo", ressaltou Steinbruch. E completou: "Sempre que passamos por alguma crise, nossos índices econômicos entram em colapso [..] Desta vez foi diferente".

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp